Uma das mais inquietantes perguntas do homem é a que tenta descobrir sua origem. A crença em Deus como criador é bastante aceita como solução para a questão. Entretanto, existe uma distância muito grande entre crer em Deus e conhecê-lo de fato. Por outro lado, a falta de conhecimento pode deturpar a própria fé, de modo que ela se torne apenas uma superstição inútil.
CONHECIMENTO CONTEMPLATIVO
Como pode o ser humano conhecer Deus? O início do conhecimento se dá pela simples observação do universo. “Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra de suas mãos” (Salmo 19.1). “Pois os atributos invisíveis de Deus, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que foram criadas” (Rm.1.20a). A criação nos mostra que existe um criador sábio e todo-poderoso. Esse aprendizado contemplativo está ao alcance de todo ser humano, porém não basta para satisfazer nossa necessidade espiritual.
A ORIGEM DA BÍBLIA
No decorrer da história, muitos homens tiveram experiências pessoais com Deus e puderam aprender sobre o seu caráter. Ouviram sua voz, suas ordens e ensinamentos. Essas mensagens eram preciosas demais para serem perdidas. Foram, portanto, passadas de geração em geração por meio da tradição oral. Com a invenção da escrita, o conhecimento sobre Deus passou a ser registrado e a compilação de tais registros deu origem à bíblia.
Pode-se imaginar que a produção bíblica tenha sido apenas uma iniciativa humana. Contudo, como explicar a coerência, a coesão, presente numa obra escrita durante 1500 anos por aproximadamente 40 autores? Percebe-se, portanto, a mão de um maestro na condução de tão grande trabalho. Observando a bíblia como um todo, percebemos elementos que dificilmente teriam sido compreendidos pelos próprios autores bíblicos individualmente. As Sagradas Escrituras mostram um plano divino para a salvação da humanidade, começando pela eleição de um povo, Israel, para que por meio dele nascesse Jesus, o Salvador. Ele veio e estabeleceu a Igreja que, na qualidade de agência do céu na terra, conduziria à salvação eterna homens de todas as nações. Esse “fio da meada” amarra todo o conteúdo bíblico, conferindo-lhe unidade e um sentido geral objetivo.
O simples registro escrito não garante a inspiração divina de nenhum livro. Afinal, inúmeros livros foram escritos e muitos deles falam sobre algum “deus”. Além disso, a bíblia seria um livro comum se o seu conteúdo fosse apenas histórico. Afinal, escrever sobre o passado não é tão difícil. A diferença é que a bíblia fala também sobre o futuro, e como o que era futuro para muitos autores bíblicos já se tornou passado para nós, podemos constatar que suas profecias se cumpriram, produzindo fatos que se tornaram provas da veracidade bíblica e sua origem divina.
Poderíamos mencionar muitos exemplos, mas um já é suficiente. A existência da nação de Israel demonstra o cumprimento das profecias bíblicas que predisseram a dispersão dos judeus pelo mundo e o seu retorno à Palestina (Jr.31.10; Ez.36.24; Ez.37.21-22).
CONHECIMENTO DE DEUS ATRAVÉS DA BÍBLIA
Assim, a bíblia, fruto de experiências com Deus, tornou-se uma das principais fontes do conhecimento espiritual afim de que cada um de seus leitores também tenha sua própria experiência com o Criador. Portanto, esse livro sagrado não é um fim em si mesmo. Mesmo sendo o maior best-seller de todos os tempos, o propósito de sua existência não é o recorde de venda de seus exemplares. A bíblia atinge seu objetivo quando, depois que a lemos, temos nossa fé em Deus edificada e, pelo exercício da fé, somos salvos (Rm.10.8-10).
Além de todos os argumentos que poderíamos apresentar, uma das maiores provas da veracidade e valor da bíblia está no fato de que, por meio dela, muitos têm conhecido o Senhor e suas vidas têm sido transformadas. Jesus disse: “Examinais as escrituras porque vós cuidais ter nelas a vida eterna e são elas que de mim testificam” (João 5.39).
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Anísio Renato de Andrade – Bacharel em Teologia.
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