Doutrinas básicas e essenciais
Toda casa precisa de um alicerce sólido. Caso contrário, corre sério risco de desabar. Da mesma forma, todo cristão deve ter um fundamento firme. A bíblia nos mostra que o nosso alicerce deve ser o Senhor Jesus e a sua palavra (I Cor.3.11; Mt.7.24-25). Além de recebermos o Senhor como Salvador, precisamos ter o conhecimento e a prática de certas doutrinas indispensáveis, que caracterizam e definem nosso compromisso com Deus.
Em Hebreus 6.1-2, lemos o seguinte:
“Pelo que deixando os rudimentos da doutrina de Cristo, prossigamos até a perfeição, não lançando de novo o fundamento de arrependimento de obras mortas e de fé em Deus, e o ensino sobre batismos e imposição de mãos, e sobre ressurreição de mortos e juízo eterno”.
O autor gostaria de abordar assuntos mais avançados com os hebreus, mas, de passagem, mencionou alguns dos temas que compõem o fundamento cristão. Sem eles, não se pode ir além. Sem o alicerce não se podem construir as paredes nem o telhado.
- O arrependimento é uma das primeiras experiências da vida cristã. Ele marca o fim da velha vida e o início da nova. Arrependimento é, antes de tudo, decisão de mudança. Se alguém se diz cristão, mas não foi transformado, se continua vivendo como ímpio, então seu cristianismo é falso. O arrependimento é uma das condições para o perdão, que faz cair a carga de culpa e condenação, tornando o homem aceitável diante de Deus mediante a operação purificadora do sangue de Jesus.
- A fé – Este é outro elemento do alicerce cristão. “Pela graça sois salvos, mediante a fé” (Ef.2.8). Ela é o “firme fundamento das coisas que se esperam... Sem fé é impossível agradar a Deus” (Heb.11.1,6). A maioria das pessoas têm fé, mas é preciso verificar em quê elas crêem. Nossa fé só tem valor quando é depositada em Deus e na pessoa de seu filho Jesus. Ele disse: “...credes em Deus. Crede também em mim” (João 14.1). A fé precisa ser mantida e alimentada continuamente através do pleno conhecimento da bíblia, a palavra de Deus (Rm.10.17). A fé precisa ser guardada e conservada até o fim (I Tm.1.19; II Tm.4.7). Se ela vacilar, nossa “casa” pode cair.
- Batismos – O batismo nas águas é um ato simbólico que serve como testemunho público da conversão. É também um marco, um memorial, para que o convertido tenha em sua história um ponto de referência bem claro para identificar sua mudança de vida. O batismo não salva, mas ele precisa ser realizado em obediência à ordem do Senhor Jesus (Mt.28.19). Não é conveniente que um cristão passe muitos anos na igreja sem ser batizado. O batismo no Espírito Santo também é fundamental e precisa ocorrer logo no início da vida cristã. Faz parte do alicerce. Trata-se de um revestimento de poder para se fazer a obra de Deus de maneira eficaz e frutífera.
- Ressurreição dos mortos – Por quê este assunto faz parte do fundamento cristão? Como disse Paulo, se não há ressurreição dos mortos, também Cristo não ressuscitou e, “se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé e ainda permaneceis nos vossos pecados” (I Cor.15.15-17). A ressurreição do Senhor Jesus foi o principal assunto na pregação dos apóstolos (At.4.33). Sem a ressurreição, o cristianismo não existiria, pois é justamente ela o maior sinal histórico da superioridade de Cristo em relação aos pretensos salvadores e guias religiosos de todos os tempos. Por outro lado, se não houvesse ressurreição, não haveria porque pregar o evangelho, pois a morte seria o fim de tudo.
- O juízo eterno – Nos últimos dias, todos os mortos ressuscitarão para serem julgados (Ap.20.4,5,12,13). Depois, cada um irá para o seu destino final: o céu ou o lago de fogo e enxofre. O juízo é eterno por ser irrevogável. Justifica-se, portanto, a pregação do evangelho, afim de se evitar a perdição de inúmeras almas. A posse de tal conhecimento e convicção faz parte do nosso alicerce espiritual, pois sabemos que não podemos desistir do nosso compromisso com o Senhor. Quem não aceitá-lo como Advogado e Salvador, haverá de conhecê-lo apenas como Juiz.
O fundamento do cristianismo não é o dinheiro, a prosperidade, a riqueza, o carro zero ou a casa na praia. Muitos têm uma visão distorcida da igreja, do evangelho e do próprio Deus. Freqüentam os cultos apenas em busca de sucesso pessoal e bens materiais. Isto seria um alicerce instável.
Os benefícios imediatos que possamos receber são importantes, mas não fazem parte do fundamento cristão. Não são as bênçãos que nos tornam “evangélicos” ou nos mantêm firmes no evangelho. Elas podem ser retiradas a qualquer momento, embora isto não seja fato comum. Mas, e se ocorrer como aconteceu a Jó, onde estará nossa firmeza espiritual? (Jó 2.1-10). E se Deus nos pedir o que temos de melhor como pediu a Abraão? (Gn.22.2). E se Deus se recusar a atender alguns dos nossos pedidos, como aconteceu com Paulo? (II Cor.12.7-9).
Aqueles que se firmam sobre bênçãos temporais podem cair a qualquer momento. Quando vem a tribulação, essas pessoas se escandalizam e se desviam do evangelho (Mt.13.20-21). Jesus curou muitas pessoas, mas nem todas foram salvas (Lc.17.17-19). Ser abençoado materialmente é maravilhoso, mas o que mais precisamos é de uma vida de compromisso cristão e testemunho autêntico, mesmo que isso nos traga a perseguição e o sofrimento (I Pd.3.17). Acima dos nossos desejos pessoais deve estar o conhecimento da palavra, a fé e a obediência.
É pela fé que permanecemos de pé, uma fé fundamentada na palavra de Deus. Servimos ao Senhor, não por causa daquilo que ele nos dá, mas porque fomos salvos por ele e queremos conhecê-lo e amá-lo cada vez mais.
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Anísio Renato de Andrade – Bacharel em Teologia.
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