O filme “A Paixão de Cristo”, do diretor Mel Gibson, tem sido causa de grande polêmica, sendo rotulado como violento e anti-semita. Quanto à violência, o filme não exagera. O que fizeram com Cristo foi o maior ato de violência da história humana. Lendo os evangelhos, ficamos atônitos diante do relato que mostra como ele, sendo inocente, sofreu e morreu. De quão maior gravidade o episódio se reveste quando o reconhecemos como o Filho de Deus!
O filme resume doze horas de sofrimento em aproximadamente duas. A realidade, portanto, foi bem pior. Só pendurado na cruz, Jesus ficou mais de três horas (Mt.27.45). E o pior de tudo não foi a agonia física. Naquele momento, quando Cristo exclamou: “Deus meu, Deus meu, por quê me desamparaste?”, sua dor espiritual foi maior do que aquela que suas feridas produziam. Só aqueles que forem para o inferno poderão ter uma noção do que o Senhor sentiu ao se ver separado do Pai por causa da contaminação dos nossos pecados. Sua aflição só não foi maior do que o amor que ardia em seu coração pela humanidade perdida. Vemos isso em suas palavras ao dizer: “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”.
Por quê o mundo fica chocado diante da história de Cristo? O que se esperava? Algo fraco e vazio? Muitos têm se levantado para protestar contra o filme. Contudo, existem por aí tantas produções com cenas muito mais fortes, e ninguém as condena. Muitas pessoas até se mostram compreensivas quando se trata de uma reprodução da realidade. Pois, da mesma forma, o filme de Gibson reproduz de modo quase literal o que se encontra nas páginas do evangelhos. É claro que foram acrescentados detalhes necessários à dramaturgia, além de algumas cenas originárias do livro “A dolorosa Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo”, de Ana Catarina Emmerich (1774-1824).
Quanto ao suposto anti-semitismo, nada há no filme que justifique tal afirmação. O que se vê ali sobre o envolvimento de judeus na trama que levou Jesus ao Calvário é apenas cópia fiel do relato bíblico. Se isso for anti-semitismo, então os evangelhos também carregam tal característica. Sabemos, contudo, que isso não é verdade, a começar do conhecimento sobre a nacionalidade dos seus autores. Dos quatro evangelistas, três eram judeus: Mateus, Marcos e João. Portanto, não eram anti-semitas, apenas honestos. Aqueles escritos e, por extensão, o filme, simplesmente retratam uma realidade histórica, de modo isento e imparcial. Devemos também compreender que a culpa de alguns indivíduos não pode servir de base para a discriminação étnica ou religiosa contra um povo. Se fosse assim, também iríamos discriminar os romanos.
Diante da paixão de Cristo, o mais importante é reconhecermos que ele morreu por causa dos nossos pecados. Todos nós somos culpados por sua morte, até que nos arrependamos por nossa contribuição para o seu sofrimento. Ele padeceu pela culpa de todos os homens, inclusive daqueles que ainda não tinham nascido. Como cordeiro mudo, ele foi levado ao matadouro (Is.53). Seu sangue foi vertido como oferta diante do Pai. Assim, o caminho foi aberto para que todo homem pudesse chegar a Deus. Todos os pecados da humanidade pesaram sobre o Senhor Jesus. Por isso, ele tem todo o poder para perdoar.
No dia de sua morte, Jesus foi rejeitado pelo povo e pelas autoridades. Hoje também, ele está diante de nós, procurando ser aceito em nossos corações. Muitos o rejeitam, blasfemam do seu santo nome e ridicularizam seus ensinamentos. Assim, estão repetindo o comportamento daqueles que açoitaram e mataram o Senhor.
Tenhamos uma atitude diferente daquela multidão que pedia sua crucificação. Reconheçamos sua majestade e senhorio, pois, aos que o rejeitarem, de nada valerá o lavar das mãos diante do Juízo Final. Aqueles, porém, que o receberem farão parte de uma inumerável multidão, formada por pessoas de toda tribo, língua, povo e nação que, por toda a eternidade, adorarão àquele que morreu, mas ressuscitou e vive pelos séculos dos séculos. Amém!
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Anísio Renato de Andrade – Bacharel em Teologia.
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